Laranja Mecânica – 101 Filmes

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Durante a 2ª Guerra Mundial, a esposa do escritor Anthony Burgess foi espancada e estuprada por soldados americanos. O trauma inspirou o artista a criar o personagem Alex DeLarge, um adolescente que sai à noite com uma gangue para detonar quem estiver pela frente – e depois sofre uma lavagem cerebral experimental, patrocinada pelo Estado, para ficar bonzinho.

No filme, baseado no livro, a intenção é mostrar o conflito entre livre-arbítrio e controle estatal. Só que a ultraviolência aparece com um sex-appeal chocante, coisa que não existia no cinema antes dos anos 70. Assim como nos filmes do Tarantino, é uma violência “bonita de se ver”. Em uma cena de estupro, Alex canta e dança Singin’ in The Rain (tema do clássico musical Cantando na Chuva) enquanto massacra um idoso e arranca a roupa da mulher dele. Em outra, mata uma mulher com uma escultura de pênis gigante.

Tanto estilo acabou levando delinquentes da época a cometer crimes inspirados no filme. Exemplo: uma holandesa foi estuprada na Inglaterra por um bando que cantava Singin’ in The Rain. A coisa saiu tanto de controle que Stanley Kubrick, num gesto inédito, decidiu pela autocensura: proibiu a exibição de Laranja Mecânica na Inglaterra enquanto vivesse. E nunca mudou de ideia. Azar dos ingleses.

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LARANJA MECÂNICA

(A CLOCKWORK ORANGE)

Diretor / Stanley Kubrick, 1971

Por que é Super / Transformou a violência em arte – e vice-versa.

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