Empório Alto dos Pinheiros – Templo da perdição

Empório Alto dos Pinheiros

Logo que você chega à parte interna do bar, descobre a arapuca: centenas de cervejas em prateleiras e geladeiras. Para você levar para casa. Uma covardia contra a sua compulsão – já que o superego vai para a cucuia depois de uma meia-dúzia do produto da casa. Pensei, “no final, vou comprar só uma ou duas, e olhe lá”. Acabei levando cinco – e mais duas lindas taças especiais para La Trappe.

Mas vamos ao que me tirou o juízo econômico… O Empório Alto dos Pinheiros é um bar/empório com mais de 400 rótulos de cervejas – gringas e nacionais também. Só de torneiras de chope, são 28. Junte a isso o fato de que os preços são bem razoáveis, e está completo o cenário de bacanal cervejeiro.

Elefantinhos cor-de-rosa (clique para ampliar)

Comecei com o chope de Delirium Tremens – a cerveja do elefantinho – para matar a saudade de uma temporada na Bélgica. Os 8,5% de graduação alcoólica explicam o nome da bebida e a chance de você enxergar pequenos paquidermes cor-de-rosa depois de uns tantos goles. Vira e mexe, é considerada a melhor cerveja do mundo.

Em seguida, mandei uma Wäls Trippel, cerveja muito frutada, de aroma cítrico, uma delícia. Daquelas que te fazem nunca mais aceitar uma Skol na vida. Até então, não estava para muitas aventuras, e investi num clássico: a holandesa La Trappe Blond, uma das minhas cervejas preferidas.

Só depois daí é que encarnei o Indiana Jones da cevada. Fui de Saison de St. Feuillien, a tal “cerveja de terroir”, bem artesanal e com uma segunda fermentação na garrafa. É uma ale gostosa, com um amarguinho de leve.

E vi graça na Göttlich Divina!, no caso a versão weiss (de trigo), com gostinho de guaraná (vai, Brasil!). A nacional é bem refrescante (5,8% de álcool) e deveria ter sido provada no começo da noite. Mas jogou o fino, mesmo mal escalada.

Wäls, com os camarões ao fundo

Ainda experimentei outra belga clara, a Lucifer, de endiabrados 8% de álcool. Tem toque frutado e baixa acidez, muito saborosa, fecharia a noite em grande estilo. Só que, depois de tantas loiras, decidi passar a régua com uma morena: a La Trappe Quadrupel, uma alquimia perfeita dos trapistas; encorpada, complexa, com 10% de graduação alcoólica. Depois disso, não daria para ir além do esquema táxi-travesseiro.

Só que eu tive a beleza de ideia de visitar as prateleiras do empório antes de pedir a conta… Nunca vou ficar rico assim.

Ah, o bar tem comidinhas também. Sandubas, pratos e porções. Fomos de porções. A de camarões empanados – daí ficarmos nas cervejas claras – estava gostosa, mas exageraram na farinha. Um tanto depois, pedimos um combinado de queijos: caccio cavalo, gouda e grana padano. Sem sustos, embora o grana padano estivesse meio passado. Me pareceu interessante ainda a porção de minikaftas de cordeiro. Só que estávamos com uma amiga que não topa carne, então ficou para a próxima.

“Os alemães estão querendo conhecer a nossa batucada…”

O atendimento foi cordial e sem demoras. Os garçons não explicaram nada sobre as cervejas, mas estavam correndo de lá para cá, em um domingo à noite mais cheio do que se imaginava. E o bar é bem aprazível, com mesinhas também do lado de fora, bela opção para as tardes quentes de São Paulo – que são quase todas, já que o inverno mal deu as caras este ano.

* * *

Vá de táxi ou faça uma caminhadinha a partir do metrô Pinheiros (por enquanto, melhor não, porque a região anda caótica, com obras para todo lado): Rua Vupabussu, 305 (Pinheiros).

Estilão: meio pub, meio empório; arrumadinho, mas descontraído.

Se vale? Dá para voltar umas 20 vezes, sem repetir nenhuma cerveja. O ambiente é agradável, e os preços, razoáveis. O que mais se pode pedir da vida?

Abriu em: 2008 – www.altodospinheiros.com.br

Endiabradas

 

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4 comments on “Empório Alto dos Pinheiros – Templo da perdição

  1. Alê, sensacional. Quando conseguirmos trocar as fraldas pela loira também oferecemos apoio nessa empreitada. Só não conseguirei ajudá-lo a lembrar de tantos detalhes após tantas cervejas.
    Abraço,

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