Quando Éramos Reis – 99 filmes que você precisa ver agora

Ali

O maior momento do boxe aconteceu em 1974. E não foi nos EUA, mas num megaevento promovido no Zaire, África. De um lado do ringue, o mito Muhammad Ali; do outro, o campeão dos pesos pesados: George Foreman, que não tinha nada da simpatia com que hoje vende seus grills. Aos 22 anos, era mal-encarado e uma máquina de nocautes – poucos passavam do segundo round contra ele. Já Ali, dez anos mais velho, era visto como um astro em decadência. E sofria com a pecha de antiamericano: ativista contra o racismo, recusou-se a ir para o Vietnã (“Nenhum vietcongue jamais me chamou de crioulo”) e adotou a fé islâmica.

Mas Ali ainda era um fenômeno – de boxe e de mídia. Aproximou-se da câmera do documentarista Leon Gast e tornou os bastidores da luta tão excitante quanto a disputa em si. E falou sem parar. “Eu sou mau! Fiz luta-livre com um crocodilo.” Chamava meninos pobres da África para treinar com ele e se assumiu porta-voz do homem africano. A tal ponto que Foreman – tão negro quanto Ali – começou a ser visto como “o homem branco”.

O povo do Zaire foi tomado de carinho pelo boxeador tagarela e torceu ostensivamente por Ali. O filme é um registro desse caso de amor entre um povo e um ídolo do esporte. E da redenção, aos olhos do mundo, de um super-homem negro.

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Meu texto sobre o documentário Quando Éramos Reis, publicado no especial “99 Filmes que Você Precisa Ver Agora”, da Superinteressante.

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