Entrevista – Sandra Werneck

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Entrevistei a diretora Sandra Werneck sobre o lançamento do seu Pequeno Dicionário Amoroso 2, que entrou em cartaz em setembro. Para a revista Vida Simples.

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O ano era 1997. Foi quando a diretora Sandra Werneck emocionou o Brasil com seu Pequeno Dicionário Amoroso, uma agridoce comédia romântica em que Luiza (Andréa Beltrão) e Gabriel (Daniel Dantas) passam por todas as fases da vida e morte de uma paixão: a empolgação da descoberta, o querer morar junto, a desilusão e a dor do fim. Tudo fragmentado em temas que seguem uma ordem alfabética. Era a prova de que um filme inteligente, e sem um final feliz clássico, podia também ser sucesso de público. Agora, quase duas décadas depois, a cineasta volta a seus personagens em Pequeno Dicionário Amoroso 2. E você pode descobrir como Luiza e Gabriel tocaram suas vidas separados – e como será esse reencontro.

 

Como foi rever esses personagens, que tiveram uma importância tão grande no seu trabalho?

O que acho mais interessante foi que não repeti essa prática que o cinema brasileiro importou dos americanos, de fazer uma sequência logo após o sucesso do primeiro filme. Deixei que a história amadurecesse, na lembrança do espectador e na minha própria elaboração. E esperei 18 anos. De modo que agora é um outro filme. É o mesmo casal, mas com outras referências, outras vivências. Deles e minhas.

 

O primeiro tinha uma carga forte de drama por conta da separação do casal, mas este 2 tem um tom mais leve, em que a comédia se faz mais presente. Por quê?

O primeiro era uma relação de um casal que se amou, tinha tudo para dar certo, apostou no futuro e teve sonhos. Mas acabou se separando e sofrendo com isso, porque qualquer rompimento traz dor. Este não. É um reencontro mais sereno, uma segunda tentativa já baseada na experiência, sem atropelos ou expectativas irreais. Mas com muita nostalgia. É um amor tranquilo, com toda a leveza que a experiência traz.

 

No anterior, o casal troca telefones quando se conhece. Se esse primeiro encontro acontecesse hoje, provavelmente um adicionaria o outro no Facebook. O dicionário amoroso também precisa de atualização tecnológica?

A Luiza agora tem um filho que está descobrindo o sexo e entra muito na internet. Deixo essa parte da tecnologia mais para a geração dos filhos deles, que são personagens importantes nessa continuação. Foi até engraçado rever o primeiro, porque notei que o celular nos anos 90 ainda era um troço enorme, indiscreto, um horror. Mas essa questão da tecnologia leva a uma constatação que fica evidente no filme: a de que a essência do amor não muda. O que muda é a forma na qual os relacionamentos se dão. Os casais continuam tendo picos de empatia, e depois ciúmes, inseguranças, baixa autoestima… E segundas chances também.

 

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